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Como o câncer de mama afeta a saúde mental e as relações

Como o câncer de mama pode mexer com a vida, a mente e as relações afetivas.
cardozo câncer de mama afeta a saúde mental

O câncer de mama é uma experiência que vai muito além do corpo. O diagnóstico traz consigo uma avalanche de sentimentos: medo, insegurança, ansiedade, tristeza e até mesmo raiva. Não se trata apenas de enfrentar a doença em si, mas também de lidar com as mudanças que ela provoca na rotina, na autoestima, nos relacionamentos e na forma como a mulher enxerga a própria vida.

É comum que surjam preocupações ligadas à vaidade, dúvidas sobre o futuro e aflições em relação à família. Afinal, o câncer não afeta somente quem recebe o diagnóstico, ele reverbera em todos ao redor. O processo de tratamento, muitas vezes longo e doloroso, pode se tornar ainda mais difícil quando não há espaço para acolher e trabalhar essas emoções.

Por isso, o acompanhamento psicológico é fundamental nesse caminho. Ter um espaço seguro para falar sobre medos, ressignificar a imagem corporal, encontrar estratégias para lidar com a ansiedade e fortalecer os vínculos emocionais faz toda a diferença. O cuidado com a saúde mental ajuda a tornar o peso do processo um pouco mais leve e fortalece a paciente para seguir adiante.

Mais do que tratar o corpo, é essencial cuidar também da mente. A psicologia se torna uma aliada poderosa para atravessar esse momento de tantas incertezas, oferecendo suporte não só à mulher, mas também a quem caminha ao lado dela.

O que é o câncer de mama?

Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), entre 2023 e 2025 são esperados cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil, o que o coloca entre os tipos de câncer mais comuns entre as mulheres.

Essa doença acontece quando as células da mama começam a se multiplicar de maneira anormal e desordenada, formando um tumor maligno que pode invadir tecidos vizinhos e, em alguns casos, se disseminar para outras regiões do corpo. Entre os fatores que influenciam seu surgimento estão aspectos genéticos, alterações hormonais, idade e hábitos de vida.

Embora exista possibilidade de cura, ela está diretamente relacionada ao estágio em que o câncer é diagnosticado. Até que esse desfecho seja alcançado, todo o percurso de exames, tratamentos e incertezas pode se tornar extremamente desgastante e emocionalmente desafiador tanto para a mulher quanto para aqueles que a acompanham.

O impacto do câncer de mama na saúde emocional da mulher

Receber um diagnóstico de câncer é sempre um momento delicado, independentemente do tipo da doença. Trata-se de uma condição séria e agressiva, que exige tratamentos intensos como quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, até transplante de medula. Cada etapa do processo pode trazer não apenas efeitos físicos, mas também repercussões emocionais importantes.

No caso do câncer de mama, muitas mulheres precisam enfrentar a possibilidade da mastectomia, a cirurgia para retirada de uma ou das duas mamas. Esse é um dos momentos mais desafiadores, pois os seios carregam forte significado simbólico: remetem à feminilidade, à sensualidade e ao papel de nutrir a vida por meio da amamentação. A retirada deles, além da alteração física, pode impactar profundamente a autoestima e o equilíbrio emocional.

Mas não é só isso. As mudanças que acompanham o tratamento, como a queda de cabelo, adaptações na rotina com consultas frequentes, uso de medicações e novas práticas de cuidado com o corpo, também podem despertar sentimentos de insegurança, tristeza e fragilidade. Muitas pacientes relatam preocupações constantes com a família, principalmente com os filhos, medo de rejeição, isolamento social e uma mistura de emoções difíceis de lidar, como raiva, frustração, ansiedade e desânimo.

Consequentemente, esses fatores podem desencadear alguns transtornos psicológicos, como:

  • Ansiedade: geralmente relacionada ao medo do tratamento, da dor, da recidiva da doença e das mudanças na rotina.
  • Transtorno de imagem: alterações físicas, como a queda de cabelo e a mastectomia, podem gerar sofrimento e insegurança em relação à aparência.
  • Depressão: pode surgir diante do impacto do diagnóstico, das limitações físicas e da alteração na autoimagem.
  • Transtornos de estresse pós traumático: algumas pacientes revivem a experiência do diagnóstico ou de procedimentos médicos de forma traumática.

Diante disso, o acompanhamento psicológico se torna essencial desde o início. Ter apoio profissional ajuda a compreender melhor os sentimentos, encontrar recursos internos para lidar com as mudanças e fortalecer a qualidade de vida durante e após o tratamento. O cuidado com a mente é tão importante quanto o cuidado com o corpo e pode transformar a forma como a paciente atravessa esse momento desafiador.

Por que é importante cuidar do psicológico durante o tratamento?

Nem sempre é fácil para as mulheres que enfrentam o câncer de mama conciliar o tratamento médico com o apoio psicológico. Muitas vezes, fatores financeiros ou falta de informação acabam afastando esse cuidado tão necessário.

Mas há uma boa notícia: a Lei nº 15.171/2025 garante, desde o momento do diagnóstico, o direito ao acompanhamento psicológico pelo SUS para mulheres que passaram por mutilação total ou parcial da mama em decorrência de cirurgias. E desde 2025, esse direito foi ampliado, incluindo também a possibilidade de realizar cirurgia plástica reparadora nos casos de retirada parcial ou total da mama, independentemente da causa.

Cuidar da mente durante o tratamento é tão importante quanto cuidar do corpo. O diagnóstico de câncer costuma vir carregado de medos, incertezas e inseguranças. Essas emoções podem impactar a motivação, a forma como a paciente lida com as etapas da terapia, os relacionamentos com a família e amigos, e até mesmo o processo de recuperação.

Buscar apoio psicológico, seja na rede pública ou de forma particular, pode fazer toda a diferença. O psicólogo oferece um espaço seguro para elaborar sentimentos, criar estratégias de enfrentamento e ajudar a paciente a seguir esse caminho com mais força e resiliência.

Se você está passando por esse momento, lembre-se: cuidar da saúde mental não é um luxo, é parte fundamental do processo de cura.

Estratégias para fortalecer a saúde emocional durante o câncer de mama

Depois de compreender a importância do cuidado psicológico no tratamento do câncer de mama, surge a pergunta: como, na prática, cuidar da mente nesse processo tão desafiador?

Além do acompanhamento médico e do apoio de um psicólogo, é possível adotar hábitos que ajudam a manter o equilíbrio emocional e a enfrentar os dias com mais leveza.

1. Construa uma rede de apoio

O carinho de familiares e amigos é essencial, mas conviver com outras mulheres que também estão passando pelo mesmo tratamento pode ser ainda mais transformador. Compartilhar experiências, trocar sentimentos e ouvir histórias semelhantes traz acolhimento, força e esperança.

2. Expresse suas emoções

O câncer de mama desperta uma verdadeira montanha-russa de sentimentos: medo, angústia, tristeza, insegurança… Guardar tudo para si só aumenta o peso. Falar sobre o que sente com pessoas de confiança pode aliviar a carga emocional e tornar os dias difíceis mais suportáveis.

3. Cultive atividades prazerosas

Permita-se viver momentos que tragam bem-estar fora da rotina do tratamento. Atividades como meditação, leitura, pintura ou exercícios leves (quando autorizados pelo médico) são ótimas opções para relaxar e nutrir a mente com energia positiva.

4. Respeite seus limites

Ser otimista é importante, mas também é essencial reconhecer suas dores e fragilidades. Chorar, sentir-se cansada ou até mesmo desanimada faz parte do processo. Acolher essas emoções sem culpa é um gesto de autocuidado.

Cuidar da saúde mental não significa “estar feliz o tempo todo”, mas sim criar espaço para sentir, elaborar e se fortalecer diante dos desafios. Pequenos passos diários podem fazer grande diferença na forma como a paciente atravessa essa fase da vida.

Não se esqueça, o acompanhamento psicológico é essencial

Ao longo deste artigo, ficou evidente que o cuidado com a mente é tão importante quanto o cuidado com o corpo durante o tratamento do câncer de mama. O suporte psicológico não é só um complemento, mas parte fundamental do processo de recuperação.

Esse acompanhamento possibilita reconstruir a autoestima, ressignificar a relação com a própria imagem e fortalecer a esperança. Mais do que isso, oferece um espaço seguro de acolhimento e escuta, onde a paciente pode expressar seus medos, angústias e incertezas sem julgamentos.

Cuidar da saúde emocional não significa negar a dor ou os desafios, mas sim aprender a enfrentá-los de forma mais saudável. Isso preserva a qualidade de vida, amplia a sensação de bem-estar e ajuda a acessar recursos internos que tornam a jornada menos pesada.

Por isso, integrar o acompanhamento psicológico ao tratamento físico é investir em um cuidado mais humano, completo e transformador.

Se você está enfrentando o câncer de mama, ou se alguém próximo a você está vivendo esse momento, saiba que o apoio psicológico pode ser um grande aliado para tornar o caminho mais leve e cheio de significado.

Agende sua primeira sessão de terapia comigo ligando ou entrando em contato pelo Whatsapp, no número: (27) 99978-0990. Nossas consultas podem ser online ou presencialmente, como preferir.

Se identificou com o texto? Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Use o espaço dos comentários para enviá-la e me siga no instagram, lá também tratamos de assuntos psicológicos de forma bem didática e criativa.

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