Você provavelmente já ouviu falar do Setembro Amarelo, a campanha está diretamente ligada ao combate e prevenção ao suicídio. Foi desenvolvida, em 2015, a partir de uma parceria entre o Centro de Valorização da Vida (CCV), a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM). Inclusive todo dia 10 de setembro é celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
O mês de setembro foi escolhido para representar a iniciativa, mas ela é lembrada durante todo o ano. Nesse ano de 2022 o lema da ação é “A vida é a melhor escolha”. Atualmente o Setembro Amarelo é a maior campanha anti estigma do mundo.
Essa iniciativa tem como objetivo dar visibilidade à causa e conscientizar as pessoas sobre a prevenção do suicídio, que infelizmente, mesmo com companhas e ações ainda é um ato muito presente em nossas vidas.
Segundo os últimos dados do Ministério da Saúde, houveram mais de 13 mil mortes por suicídio no Brasil só em 2019. Essa análise mostrou o aumento do risco de morte por suicídio em todas as regiões do Brasil. Nesse estudo também foi observado que os homens apresentam um maior risco de cometer suicídio do que as mulheres. A taxa de mortalidade masculina em 2019 foi de 10,7 por 100 mil habitantes, enquanto nas mulheres foi de 2,9 por 100 mil habitantes.
Mundialmente as taxas de morte por suicídio vem diminuindo, entre os anos 2000 e 2019 a taxa global caiu para 36%, porém nos países da América a taxa aumentou 17% nesse mesmo período.
Sabemos que praticamente 100% dos suicídios são causados por doenças psicológicas, principalmente as não diagnosticadas, ou tratadas erroneamente. Muitas doenças podem levar ao ato, porém a maior causadora é a depressão.
Depressão leva ao suicídio
A depressão é uma das doenças psicológicas que mais leva ao ato do suicídio, é uma doença silenciosa, ainda muito subestimada, mas que atinge milhares de pessoas.
É uma doença que traz alterações de humor, tristeza profunda, angústias, baixa autoestima, amargura, sentimento de morte, falta de perspectiva, dentre outras características. Pode surgir por fatores genéticos, mas também por diversos outros motivos: falta de emprego; morte de um familiar querido; humilhação ou desonra; ter alguma doença grave; desilusão amorosa; abuso de álcool ou drogas; abusos sofridos no trabalho ou em casa; etc.
Todos esses fatores fazem a pessoa depressiva se sentir envergonhada, rejeitada, um peso da vida dos outros e solitária. Juntando tudo isso ao fato de a depressão ainda ser uma doença menosprezada pela sociedade, leva o indivíduo a querer se libertar de todas essas angústias e situações, e como ele vai se livrar disso tudo? Com a morte. Ele sente que só a própria morte pode livrá-lo de todos os problemas que está enfrentando.
A depressão não é apenas uma tristeza ou momento ruim que logo vai passar, é uma doença que precisa ser acompanhada por profissionais de saúde capacitados. A descoberta da doença e o tratamento adequado, trazem reduções significativas das taxas de suicídio.
Sinais que levam ao suicídio
Além da depressão, existem outros sinais que levam ao suicídio. Sinais que a pessoa com essa intenção vai dando no dia a dia, podem parecer atitudes tolas, mas são ações não costumeiras da pessoa, veja:
Desinteresse pelo próprio bem-estar
Podemos falar aqui de hábitos que antes a pessoa não deixava de fazer par se sentir bem consigo mesmo, mas que agora para ela já não importa tanto.
Hábitos como: higiene, vaidade, indiferença em qualquer tipo de situação. Aos poucos sua própria vida vai deixando de ser importante e o que lhe fazia bem e feliz, já não faz diferença.
Mudança no padrão alimentar e de sono
Comportamentos irresponsáveis
Agir de forma inconsequente, sem pensar no resultado que aquilo pode trazer: abuso de drogas e álcool, sexo sem proteção, direção imprudente, são apenas alguns dos indícios de que a pessoa já não está dando a devida importância à própria vida.
Queda na produtividade escolar ou no trabalho
A falta de atenção e motivação para se concentrar nas próprias tarefas são sinais que também levam ao suicídio, a pessoa não está mais preocupada em cumprir suas obrigações, essa falta de motivação é algo normal, já que para ela viver não faz mais sentido.
Avisos
Quando ouvimos da pessoa frases como: “A vida não vale mais pena” “Pra mim tanto faz morrer agora ou depois”, estamos sendo avisados que algo não está bem. Hoje é bastante comum vermos esses tipos de “avisos” nas redes sociais. Pessoas que pensam em suicídio tendem a compartilhar seus pensamentos e frustrações, postar fotos com letras de músicas depressivas e frases soltas que falam sobre a morte e como ela é a solução para os problemas.
Você sente alguns desses sintomas ou sinais? Procure ajuda imediatamente, existem outras alternativas além do suicídio, alternativas que irão te auxiliar a voltar a ter esperança e promover uma melhor qualidade de vida.
Suicídio em crianças e jovens
Engana-se quem pensa que casos de suicídio só acontece com pessoas adultas e cheias de responsabilidades. Crianças e adolescentes também têm sentimentos, angústias, preocupações e ansiedade.
De acordo com o pediatra Rubens Cat, em 2020 o aumento de casos de suicídio e tentativas entre crianças e adolescentes aumentou consideravelmente, um estudo americano feito com 19 mil adolescentes evidenciou que 15,8% tiveram pensamentos suicidas, o que representa um aumento de 60% em relação ao ano de 2019 e um aumento de 45% também nas tentativas.
Acredita-se que esse aumento se deve muito à pandemia da COVID-19. Pois 40% das crianças e adolescentes apresentaram alterações de saúde mental, devido ao isolamento social e a quarentena que ocorreram nos anos de 2020 e 2021.
O pediatra afirma que em crianças de até 10 anos esse comportamento é menos comum de acontecer, mas não é impossível, pois muitas delas podem entrar na puberdade nessa faixa etária.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o grupo predominante tem entre 15 e 29 anos e é comum que na adolescência surjam ideias suicidas, é nela que você começa a entender melhor a vida, a lidar com responsabilidades e problemas mais sérios. Por isso é normal o surgimento dessas ideias, pois elas fazem parte do desenvolvimento de estratégias para lidar com os problemas que começam a ser enfrentados nessa idade.
A presença significativa de vulnerabilidade no lar como: violências, falta de cuidados, maus-tratos, agressões verbais e físicas, uso de álcool e drogas, abusos psicológicos e sexuais e rejeições são as principais causas de suicídios nessas idades.
Comportamentos suicidas e o aumento de casos na pandemia
A Covid-19 teve um forte impacto na saúde mental e no bem-estar das pessoas.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os casos de doenças que podem levar ao suicídio como depressão e ansiedade aumentaram mais de 25% ao nível global.
Isso se deve pelo medo e desconforto gerado pela nova situação e estilo de vida, a partir da doença e também pela falta de acesso aos serviços de saúde mental, devido ao isolamento social e a quarentena.
Só no primeiro ano de pandemia, 2020, houve um aumento de 27,6% de casos de transtornos depressivos graves e constataram também um aumento de mais de 25,6% de casos de transtornos de ansiedade no mundo todo. As mulheres foram mais afetadas que os homens, mulheres com idades entre 20 e 24 anos.
Trazendo para o Brasil, tivemos números significativos em regiões específicas e em alguns grupos específicos. Um estudo realizado pela Fiocruz avaliou o comportamento suicida das pessoas em 2020.
As regiões mais afetadas foram o Norte e Nordeste, regiões que são socioeconomicamente mais vulneráveis no Brasil. O estudo aponta que o suicídio durante a pandemia aumentou 26% entre os homens idosos e mulheres adultas (30 a 59 anos) da região Norte. Este mesmo padrão foi observado em mulheres idosas do Nordeste, havendo um aumento de 40% dos casos.
O que não fazer
Você tem pessoas na família ou amigos que estão passando por esse momento delicado e não sabe como ajudar? Jamais ignore a situação que a pessoa está vivendo, não diminua a dor dela, não profira palavras ou frases estimuladoras como: “quem fala muito, não faz nada”, “se quisesse morrer, já tinha se matado”; não julgue a pessoa por determinados atos; não deixe ela sozinha em momentos de crise.
A principal medida a se tomar é não fazer o problema parecer pequeno, logo em seguida, procure ajuda profissional o mais rápido possível.
Como ajudar
Como falamos no texto, pensamentos suicidas são desencadeados por meio de doenças mentais, por isso é muito importante a busca de um acompanhamento profissional, um psicólogo ou psiquiatra irá auxiliar no melhor tratamento para reverter esse quadro.
É crucial que a pessoa também tenha uma rede de apoio, familiares e amigos que estejam dispostos a conversar e a ouvir, sem julgamentos e cobranças.
Existem também os grupos de apoio, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), um grupo de apoio emocional que funciona 24h com atendimento sob total sigilo. Ligue 188.
O acompanhamento psicológico também faz parte do tratamento. As sessões de terapia irão te ajudar a entender melhor o momento pelo qual está passando e a como lidar com ele.
Saiba que você pode contar comigo nessa jornada, nossas consultas podem ser online ou presencialmente. Ligue ou entre em contato pelo WhatsApp no número: (27) 99236-5313.
Ficou alguma dúvida sobre o assunto? Use o espaço dos comentários para enviar suas perguntas.
E lembre-se, você não está sozinho! =D


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