Quando falamos sobre abusos psicológicos, é comum pensarmos, de imediato, em relacionamentos amorosos. No entanto, é importante entender que esse tipo de abuso pode ocorrer em qualquer tipo de conexão. Toda relação humana é complexa, pois envolve pessoas com histórias, valores, gostos e desejos diferentes. E para que qualquer relação seja saudável, é fundamental estabelecer limites.
Mas como fazer isso? Eu te respondo: dizendo não!
Por mais que você queira manter a relação ou agradar a outra pessoa, é essencial deixar claro o que é aceitável e o que não é. Antes de tudo, é preciso pensar em você. Quando começa a ignorar seus próprios gostos, vontades e sentimentos apenas para satisfazer o outro, entra em uma dinâmica de abuso. Muitas vezes, quem está do outro lado pode nem perceber o mal que está causando, e você, por não impor limites, acaba permitindo que isso continue, mesmo que te machuque.
Estabelecer limites é um ato de amor-próprio. É ele que vai te proteger e preservar a sua saúde emocional.
Continue lendo este artigo e descubra estratégias práticas para impor limites e construir relações mais saudáveis e equilibradas.
Abuso psicológico não acontece só entre casais
Como já citado no texto, é mais frequente ouvirmos falar de abuso psicológico nos relacionamentos amorosos, que geralmente são marcados por controle, manipulação e humilhações. De fato, esse tipo de violência é bastante presente entre casais, mas o que nem sempre é dito, e que precisa começar a ser discutido, é que o abuso psicológico vai muito além das relações românticas.
A verdade é que ele pode acontecer em qualquer tipo de vínculo: entre familiares, amigos, colegas de trabalho e até mesmo em ambientes religiosos ou escolares. O que caracteriza o abuso psicológico não é o tipo de relação, mas a dinâmica de poder e a presença constante de atitudes que desestabilizam emocionalmente o outro.
Na família, por exemplo, é possível que pais usem chantagem emocional para controlar filhos, ou que irmãos criem uma dinâmica de humilhação e medo disfarçada de “brincadeira”. Em amizades, há casos em que a pessoa manipula a outra constantemente, fazendo com que ela se sinta culpada, dependente ou insuficiente.
No trabalho, o abuso psicológico pode acontecer por meio de cobranças excessivas, críticas humilhantes, ameaças sutis ou mesmo com o famoso gaslighting, uma forma de manipulação em que a vítima começa a duvidar da própria memória ou percepção da realidade. Infelizmente, essas práticas ainda são comuns em ambientes corporativos e, muitas vezes, são mascaradas como “pressão normal” ou “perfil competitivo”.
Até mesmo as instituições religiosas, educacionais ou sociais também não estão livres disso. A autoridade de líderes ou figuras de respeito pode ser usada como ferramenta de controle emocional, fazendo com que a vítima sinta medo, vergonha ou insegurança constante.
Uma das maiores dificuldades em reconhecer esse tipo de violência é que ele não deixa marcas visíveis. Diferente da agressão física, o abuso psicológico é sutil, muitas vezes silencioso e contínuo. Ele se infiltra nas relações aos poucos, e pode fazer a vítima se sentir confusa, culpada e até responsável pelo que está acontecendo.
Além disso, o laço emocional entre a vítima e o abusador pode dificultar o rompimento ou a busca por ajuda. Em muitos casos, a pessoa abusada nem percebe que está sendo violentada psicologicamente, especialmente quando o agressor é alguém próximo e querido.
Porque é essencial estabelecer limites nas relações?
Saber dizer “não” e reconhecer até onde vai o nosso conforto emocional não é egoísmo, é cuidado. Estabelecer limites nas relações é uma forma saudável de proteger nossa saúde mental e garantir que as interações com os outros sejam equilibradas e respeitosas.
Muitas vezes, por medo de desagradar ou perder alguém, deixamos de impor limites claros. Com o tempo, isso pode gerar ressentimentos, cansaço emocional e até relações abusivas. Quando nos posicionamos, mostramos ao outro quem somos, o que aceitamos e o que nos fere. Isso fortalece a comunicação e cria vínculos mais verdadeiros.
Limites bem definidos não afastam as pessoas certas, ao contrário, atraem relações mais honestas e seguras. Afinal, quem respeita nossos limites também respeita quem somos de verdade.
Como estabelecer limites saudáveis e manter sua autoestima elevada
Tem dificuldade para impor limites nas suas relações e se sentir mais seguro emocionalmente?
Veja agora algumas estratégias práticas que podem te auxiliar nesse processo:
- Seja claro e direto: Sempre seja claro nos relacionamentos, diga o que você aceita e o que não tolera, mas claro, sem agressividade.
- Reconheça seus sentimentos e necessidades: Comece a observar como você se sente nas interações com os outros, priorize seus sentimentos e se tal situação pode ser ajustada ou se é melhor o afastamento.
- Diga “não” sem culpa: Recusar algo não faz de você uma pessoa ruim ou egoísta. Lembre-se: cada vez que você diz “sim” para agradar os outros, pode estar dizendo “não” para si mesmo.
- Seja flexível em alguns casos: Nem sempre os nossos limites serão atendidos exatamente como gostaríamos, por isso é importante estar aberto ao diálogo e à negociação. Em algumas situações, encontrar um meio-termo pode ser necessário, desde que isso não comprometa o que é essencial para o seu bem-estar.
- Pratique o autocuidado diariamente: Cuide do corpo, da mente e das emoções: sono de qualidade, alimentação, lazer e momentos de pausa importam.
- Respeite seus próprios limites também: Não basta exigir respeito dos outros, pratique o mesmo com você, evitando se colocar em situações que te desgastam desnecessariamente.
- Prepare-se para reações adversas: Ao começar a se posicionar e impor limites, é comum que nem todos aceitem bem essa mudança. Algumas pessoas podem reagir de forma negativa, demonstrando desconforto, irritação ou tentando fazer com que você volte atrás. É importante estar emocionalmente preparado para essas reações e não se deixar abalar. Manter-se firme em suas decisões mostra maturidade e respeito por si mesmo.
- Cerque-se de pessoas que te apoiam: Relações saudáveis ajudam a construir confiança. Afaste-se, ou limite o contato com quem constantemente te diminui.
Como não cair na armadilha novamente
Sair de um relacionamento com abuso psicológico é um passo corajoso, mas o desafio não termina aí. Muitas pessoas, por traumas antigos ou padrões emocionais repetitivos, acabam se envolvendo novamente em relações semelhantes sem perceber. Por isso, é essencial investir em autoconhecimento e fortalecer a autoestima.
Aprender a identificar sinais sutis de controle, manipulação ou desrespeito logo no início é fundamental. Observe como a pessoa lida com suas opiniões, seus limites e sua liberdade. Relacionamentos saudáveis não geram medo, dúvida constante ou sensação de culpa.
Estar emocionalmente atento, confiar na própria intuição e buscar ajuda profissional, se necessário, são formas eficazes de quebrar o ciclo. Você merece uma relação baseada em respeito mútuo, apoio e liberdade para ser quem é, sem medo.
Quando você percebe que está em um relacionamento abusivo: e agora?
Descobrir que está em um relacionamento abusivo, mesmo que não seja a primeira vez, pode ser confuso e doloroso. Muitas pessoas não reconhecem os sinais logo de início, porque o abuso psicológico nem sempre é claro ou visível. Pode vir disfarçado de preocupação, ciúmes “normais” ou críticas sutis. Quando a ficha cai, o medo, a culpa e a dúvida sobre o que fazer costumam aparecer juntos.
Se você já viveu esse tipo de relação antes, talvez sinta que caiu no mesmo ciclo novamente. Se é a primeira vez, pode estar se perguntando: “Como deixei isso acontecer?” Em ambos os casos, é importante lembrar que ninguém escolhe ser abusado, e que a responsabilidade nunca é da vítima.
O passo mais importante é buscar apoio. Um psicólogo pode te ajudar a entender o que está acontecendo, fortalecer sua autoestima e te orientar na construção de estratégias seguras para sair dessa situação. A terapia não apenas oferece acolhimento, mas também clareza, algo fundamental quando se está emocionalmente fragilizado.
Você não precisa passar por isso sozinho. Procurar ajuda é um ato de coragem e o primeiro passo para retomar o controle da sua vida e reconstruir relações mais saudáveis e respeitosas.
Como psicóloga, posso lhe ajudar a reconhecer e evitar abusos psicológicos antes que eles te afetem profundamente.
Você pode agendar uma sessão ligando ou entrando em contato pelo Whatsapp, no número: (27) 99978-0990. Nossas consultas podem ser online ou presencialmente, como preferir.
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Cuide bem de você! =)


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