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Infantilização de adultos: um obstáculo silencioso para o amadurecimento emocional

Entenda como adotar hábitos infantis na vida adulta pode prejudicar a saúde mental e as relações.

Nos últimos tempos, temos visto viralizar nas redes sociais uma série de comportamentos curiosos entre adultos que podem trazer muitos questionamentos e reflexões.

São pessoas colecionando bebês reborn, livros para colorir, versões mirins de si mesmos criadas pela Inteligência Artificial, a moda dos Labubus (pequenos bonecos em forma de chaveiro) e agora a mais nova tendência: adultos chupando chupetas.

Com todas essas tendências acontecendo, percebemos então que símbolos da infância estão cada vez mais presentes no cotidiano, mas não necessariamente nas mãos das crianças. A questão que surge é: por que tantos adultos estão se voltando para práticas que remetem a essa fase?

É importante destacar que não existe nada “errado” em um adulto gostar dessas atividades. Porém, o fenômeno merece atenção. A pergunta a se fazer não é se devemos nos preocupar, mas o que esses comportamentos estão querendo comunicar.

Entenda melhor lendo o artigo.

Nostalgia em alta: o que leva tantos adultos a resgatarem costumes infantis?

Que essas tendências que remetem ao universo infantil têm se tornado cada vez mais presentes nas redes, é um fato.O que poderia parecer apenas uma moda passageira, aos poucos se mostra como um comportamento mais frequente, e que merece um olhar mais atento.

A primeira reação diante disso costuma ser o julgamento, muitas vezes acompanhado de piadas e memes. Afinal, tudo o que viraliza na internet rapidamente se transforma em conteúdo para entreter. Porém, quando olhamos mais de perto, percebemos que essas práticas não são apenas “trend”. Elas revelam algo mais profundo sobre o funcionamento emocional na vida adulta.

Você já ouviu a frase “todo adulto carrega uma criança dentro de si”? Essa ideia se conecta diretamente ao fenômeno que estamos lidando hoje. Durante a infância, vivenciamos experiências que moldam quem seremos no futuro. A forma como fomos tratados, os recursos que tivemos (ou não tivemos) e as memórias que guardamos influenciam diretamente nossa autoestima, segurança emocional e até nossa forma de lidar com os desafios da vida adulta.

Quando uma pessoa adulta se permite “brincar”, o que está em jogo não é apenas nostalgia. Muitas vezes, é a tentativa de resgatar a sensação de segurança que tínhamos quando crianças, um período no qual não precisávamos lidar com responsabilidades, decisões difíceis ou pressões constantes.

Voltar a ser criança, mesmo que simbolicamente, pode representar um alívio em meio ao cenário de incertezas que vivemos atualmente.

Além disso, existe um fator importante: muitas pessoas da geração adulta de hoje cresceram em contextos de maior dificuldade financeira. Por isso, ao conquistarem estabilidade, passam a realizar desejos que não puderam atender na infância. Seja experimentar alimentos antes inacessíveis, seja comprar brinquedos ou acessórios, esse resgate pode ser vivido como uma forma de reparação emocional.

E você pode estar se perguntando: o que isso tem a ver com saúde mental? Muita coisa!

Esses comportamentos podem ter efeitos positivos: ajudam a reduzir o estresse, funcionam como um momento de mindfulness espontâneo (quando a pessoa se concentra plenamente na atividade e esquece das preocupações), além de trazerem um senso de acolhimento interno.

Por outro lado, é importante estar atento: quando esse tipo de comportamento se torna uma fuga constante da realidade, pode indicar uma dependência emocional ou uma dificuldade em lidar com os desafios da vida adulta. Nesse caso, em vez de apenas proporcionar leveza, a “brincadeira” passa a ser um refúgio para evitar dores e frustrações que precisariam ser elaboradas de outra forma.

Não podemos negar, as redes sociais têm um papel central na popularização dessas modas que surgem e desaparecem em questão de dias ou semanas. O processo é quase sempre o mesmo:

  1. Alguém posta um conteúdo novo e curioso;
  2. Outras pessoas reproduzem a ideia;
  3. Em pouco tempo, aquilo viraliza, alcançando milhares, às vezes milhões, de usuários.

O ciclo se repete constantemente. O conteúdo ganha força, vira memes, gera comentários e compartilhamentos, até que desaparece para dar espaço à próxima tendência.

Mesmo quando a prática parece estranha, como um adulto usando chupeta, muitas pessoas sentem a necessidade de participar. O motivo? O pertencimento. Existe quase uma “pressão invisível” de estar por dentro do que é popular. Afinal, quem nunca ouviu a frase: “se você não sabe o que está bombando na internet, é como se não estivesse vivendo neste mundo”?

Esse desejo de não parecer deslocado pode levar muitos a entrar na brincadeira, mesmo que não tenham tanto interesse inicial.

Outro fator que potencializa esse movimento é a influência de figuras públicas. Hoje, temos acesso ao cotidiano de celebridades e influenciadores digitais de uma forma mais corriqueira. Ao observar alguém que admiramos adotando determinado comportamento, como comprar uma boneca e tratá-la como um filho, é natural surgir o desejo de experimentar também.

Agora, pare e reflita: até que ponto as tendências da internet têm influenciado na sua vida e no seu bem-estar emocional?

Se está despertando desconforto, insegurança, dependência emocional e até mesmo prejudicando sua vida e relações com as outras pessoas, pode ser a hora de buscar um apoio psicológico.

Por que reviver a infância pode atrapalhar a vida adulta?

Entrar na onda das trends e se permitir participar apenas por diversão ou como uma forma de relembrar a infância não traz grandes problemas. Afinal, resgatar a ludicidade faz parte da experiência humana e pode até enriquecer nossa vida adulta.

Porém, quando observamos esse fenômeno do ponto de vista psicológico, a infantilização de adultos merece atenção. Isso porque pode impactar diretamente a maneira como nos relacionamos conosco, com os outros e com o mundo.

Durante a infância, estamos sob proteção: pais ou responsáveis assumem as decisões e nos oferecem cuidado. Se, na vida adulta, buscamos constantemente refúgio em práticas que nos remetem a esse período, corremos o risco de enfraquecer nossa tolerância às adversidades. Surge, então, uma sensação de impotência, como se não fôssemos capazes de enfrentar os desafios e responsabilidades que a maturidade exige.

Outro ponto delicado é a dependência emocional e social. Ao adotar comportamentos que reforçam a imagem de criança, ainda que seja só uma brincadeira, alguns adultos podem, inconscientemente, esperar que outras pessoas assumam o papel de cuidadores. Isso fragiliza os relacionamentos, dificulta vínculos equilibrados e pode gerar frustrações tanto para si quanto para quem está por perto.

Existe ainda o risco do isolamento social. Embora certas tendências sejam aceitas em alguns grupos, elas carregam estigmas. Assim, a pessoa pode se tornar alvo de críticas ou julgamentos, o que intensifica sentimentos de inadequação e solidão.

A infantilização também pode se transformar em um obstáculo para o amadurecimento emocional. A fase adulta é marcada pela construção da autonomia, da resiliência e da identidade. Se comportamentos infantis passam a ocupar espaço demais, podem comprometer o processo de crescimento pessoal e dificultar uma vivência mais plena da vida adulta. Além disso, coletivamente, esse movimento pode reforçar a ideia equivocada de que ser adulto significa perder a alegria, a leveza ou a criatividade.

Ser adulto não significa ser sempre rígido ou estar tenso o tempo todo. Pelo contrário, é saber incluir a magia da infância na maturidade da vida adulta, assumindo escolhas, estabelecendo limites e construindo a própria história.

Na psicologia, entendemos que buscar conforto em elementos da infância pode ser saudável e até terapêutico, desde que feito de forma equilibrada e consciente. A nostalgia traz acolhimento, e o lúdico favorece a saúde mental. O cuidado necessário é não permitir que essas práticas substituam o enfrentamento das responsabilidades adultas, que também carregam em si possibilidades de liberdade, conquistas e construção de sentido.

Quando conseguimos equilibrar essas duas forças, descobrimos que a vida adulta pode ser tão rica, criativa e autêntica quanto a infância, apenas de um jeito diferente.

Libertando-se da infantilização: como encontrar equilíbrio emocional

Quando uma trend infantilizada surge, você sente que precisa fazer parte? Ou conhece pessoas que repetem esse tipo de comportamento com frequência?

Se a resposta for sim, talvez seja o momento de olhar para isso com mais atenção. Quando já não conseguimos discernir o que é apenas uma brincadeira pontual daquilo que começa a impactar nosso cotidiano e nossas relações, a psicoterapiapode se tornar uma ferramenta valiosa de autoconhecimento e transformação.

No processo terapêutico, é possível compreender de onde vem essa necessidade de voltar constantemente para um lugar infantilizado. Mais do que isso, você aprende a construir estratégias para desenvolver autonomia, autoconfiança e inteligência emocional, recursos fundamentais para lidar com os desafios que a vida adulta apresenta.

Lembre-se, se libertar das amarras da infantilização não significa deixar de viver momentos de alegria e prazer, mas sim aprender a viver de forma saudável, sem impedir seu amadurecimento.

Ser adulto é, antes de tudo, assumir a própria história, com responsabilidade, mas também com liberdade para viver de maneira plena e autêntica.

E você, está pronto para assumir seu papel na vida adulta e colher os frutos de relacionamentos mais saudáveis e uma qualidade de vida mais estável?

Agende sua primeira sessão de terapia ligando ou entrando em contato pelo Whatsapp, no número: (27) 99978-0990. Nossas consultas podem ser online ou presencialmente, como preferir.

Se identificou com o texto? Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Use o espaço dos comentários para enviá-la e me siga no instagram, lá também tratamos de assuntos psicológicos de forma bem didática e criativa.

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