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Quando o ciúme se torna um problema

O que faz uma situação de ciúmes ser considerada doentia e o que é possível fazer para mantê-lo sob controle.

O ciúme patológico tem origem em algo totalmente diferente do amor, para começar, quem sofre de ciúme doentio está externando um problema emocional que tem consigo mesmo, apesar de parecer que a questão é com o outro.

Todo relacionamento é único e pode ser bastante difícil encontrar em você ou no seu parceiro o limite entre “se importar” e ter ciúme em excesso.  Não importa se o parceiro, filho ou amigo faz ou não algo que seja motivo para suspeita. O ciumento patológico vai criar na sua mente cenários em que sinta que a sua desconfiança é justificada e assim vai tomar atitudes desproporcionais para garantir que não será traído ou abandonado (que pode envolver perseguição, ameaças ou coisa pior), ou para pegar o outro no flagrante e confirmar suas crenças disfuncionais.

Ou seja, a pessoa que é vitimada pelo ciúme doentio de outra é só uma pequena peça em um cenário bastante complicado, criado e vivenciado todo na mente de uma pessoa doente.

Você já esteve num relacionamento que se parecia com isso? Fique atento às características de ciúmes doentios e aja o quanto antes para resolver esse problema.

Como reconhecer o ciúme doentio

Como qualquer disfunção ou doença, o ciúme patológico também segue padrões, mesmo em pessoas completamente diferentes. As marcas mais comuns desse problema são:

  • Desconfiança permanente sobre o comportamento do outro
  • Medo desproporcional de ser abandonado
  • Hábito de criar cenários/histórias mentalmente, mesmo sem indícios, para justificar sua desconfiança
  • Hábito de analisar detalhadamente a rotina, os gostos, as roupas e o comportamento do outro
  • Ligações, mensagens, recados e tentativas de contato em excesso, para monitorar o outro quando à distância
  • Tendência à paranoia
  • Usar de chantagem ou ameaças para manter controle sobre o outro

Como surge o problema?

Apesar dos sintomas de ciúmes doentios serem muito parecidos sempre, as causas variam muito de uma pessoa para outra.

Há quem desenvolva esse problema por um trauma adquirido em relacionamentos passados, há quem desenvolva ainda na infância, tendo sido vítima de negligência de um ou de ambos os pais.

Pessoas com perfil controlador e ansiedade em níveis alto também podem ter alguma facilidade de ter ciúmes num patamar doentio. Outro fator que pode favorecer essa situação é a baixa autoestima.

Mas há também pessoas que desenvolvem essa patologia como um traço de esquizofrenia pré-existente.

Qualquer que seja a origem, o núcleo do problema não está na pessoa que é objeto de obsessão. A pessoa que sofre dessa disfunção geralmente tem outras doenças psicológicas, e esta soma não raro compromete profundamente a qualidade de vida das pessoas envolvidas, com potencial de criar situações realmente graves em crises.

Por isso, quem sofre de ciúme doentio precisa de tratamento com um psicólogo o quanto antes.

Efeitos do ciúme patológico em um relacionamento

Os efeitos do ciúme patológico são muitos. Caso o parceiro não se oponha ao controle que o ciumento vai estabelecendo, a tendência é que as restrições e chantagens se tornem cada vez mais frequentes e sufocantes. E por estranho que possa parecer, o ciumento ainda assim nunca vai estar seguro.

Por outro lado, se o parceiro tentar impor limites à necessidade de monitoramento do ciumento, as brigas é que se tornarão mais constantes e agressivas.

E embora possa ficar apenas no nível do desconfortável não é raro que o ciúme patológico vire caso de polícia. Quando colocado numa situação em que sente que perdeu demais o controle, o ciumento pode fazer ameaças de agressão, assassinato ou suicídio, ou efetivamente infligir essas agressões a si mesmo, ao parceiro ou a pessoas que não têm nada a ver com a situação.

Amigos, familiares, colegas de trabalho ou faculdade, e até completos desconhecidos, todos podem se tornar parte de uma trama imaginada na cabeça do ciumento patológico, e poderão sofrer as consequências dessa obsessão doentia.

E quando o ciúme não é patológico?

O que diferencia o ciúme patológico daquele que está dentro da normalidade é a capacidade do ciumento de fazer uma avaliação racional das situações: uma pessoa saudável com ciúmes pode ser capaz de superar sua desconfiança quando fatos razoáveis são apresentados.

Não é o caso do ciumento patológico, que continuará em estado de suspeita e alerta total mesmo com todas as evidências mostrando que não há qualquer risco ao seu relacionamento.

O “ciumento saudável” não irá investir muito do seu tempo em monitorar cada detalhe da vida do seu parceiro, e nem irá criar histórias (mesmo sem indícios) para justificar suas desconfianças. Em circunstâncias normais, o ciumento saudável também não vai colocar o relacionamento como sua razão para viver.

É preciso buscar ajuda

Conforme vimos, a situação de ciúme doentio é uma roleta russa: dependendo da gravidade do caso, tanto o ciumento quanto o seu parceiro e pessoas próximas poderão estar em perigo real.

Portanto, se você acredita estar num relacionamento desse tipo, é importante que tome medidas para se manter em segurança, e que também procure apoio de um psicólogo para entender se é mesmo ou não um caso de relacionamento com ciúme patológico, e caso seja, descobrir o que poderá ser feito para interromper essa escalada tão nociva.

Mas se por outro lado é você que tem sentido que pode ser traído a qualquer momento, que sua vida não vale a pena sem um relacionamento, ou que você não é capaz de conquistar outra pessoa, você deve considerar conversar com um psicólogo para reduzir os seus sofrimentos emocionais, que certamente não são pequenos.

Enquanto não procura um psicólogo, quem sofre de ciúmes em nível patológico pode tomar algumas medidas para esclarecer as coisas e não agir no impulso quando estiver numa crise:

  • Procure descobrir se você está sofrendo de ansiedade, estresse ou outra condição psicológica paralelamente. Praticar exercícios e meditação pode ajudar a reduzir muito essa tensão mental.
  • Quando surgir um pensamento de desconfiança pare tudo o que está fazendo e o analise profundamente. Seja honesto com você mesmo: o quanto desse pensamento está baseado em fatos concretos, e o quanto dele é simplesmente achismo seu? Esse exercício por si só é capaz de clarear sua visão e reduzir a impulsividade.
  • Converse com seu parceiro, exponha honesta e abertamente os seus sentimentos, e também ouça e aceite os dele.
  • Aceite que o seu parceiro tem uma vida própria além daquele que ele tem com você, e por isso ele não só pode, como deve se relacionar com outras pessoas em outros ambientes (profissional, círculos de amizades etc.) para que seja um ser humano saudável.

Alguma dúvida sobre o assunto? Use os espaço dos comentários para enviar suas dúvidas. Se precisa de ajuda para tratar de ciúmes patológicos, converse comigo. As consultas são agendadas e podem ser realizadas de forma presencial ou online. Entre em contato pelo número (27) 99978-0990 ou pelo WhatsApp.

Cuide bem de você! =D

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