A saúde mental tem ganhado destaque nos últimos anos, e o cuidado com o bem-estar psicológico se tornou uma prioridade na rotina de muitas pessoas. Não é raro ouvir, em conversas cotidianas, a pergunta: “Você faz terapia?”.
Esse movimento também chegou ao ambiente corporativo, um espaço que, muitas vezes, pode ser bastante desgastante para os profissionais. Pressão por resultados, sobrecarga de tarefas, episódios de assédio e exigências excessivas são apenas alguns dos desafios enfrentados diariamente pelos trabalhadores.
Se antes esses problemas passavam despercebidos ou eram tratados com silêncio, hoje, graças à crescente valorização da saúde emocional, há mais espaço para discutir como essas questões afetam o bem-estar mental dos colaboradores e os impactos que isso pode ter tanto na vida pessoal quanto nos resultados das empresas.
Reconhecendo essa importância, em 2024 foi sancionada a Lei 14.831, que instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental. Essa iniciativa do governo federal visa reconhecer organizações que adotam práticas voltadas ao cuidado emocional dos seus times, como ações de conscientização, programas de apoio psicológico e incentivo ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
No entanto, em maio de 2025, essa iniciativa ganhou ainda mais força com a atualização da Norma Regulamentadora NR-1. A nova diretriz tornou obrigatória a inclusão de fatores psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas. Isso significa que, além das obrigações já existentes, agora é necessário identificar, avaliar e prevenir riscos relacionados à saúde mental no ambiente de trabalho.
Entre as medidas previstas estão a criação de canais de denúncia, revisão da carga de trabalho, capacitação de líderes e outras ações preventivas que garantam um ambiente mais saudável e respeitoso para todos.
Se você quer entender melhor essas mudanças e como elas impactam o futuro das relações de trabalho, continue acompanhando este artigo.
Por que é importante falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho?
Falar sobre saúde mental nas empresas é uma necessidade urgente. Antes de serem profissionais, os colaboradores são seres humanos, com emoções, histórias e desafios pessoais. É irreal imaginar que esses aspectos ficam do lado de fora quando o expediente começa. Os sentimentos acompanham as pessoas, mesmo durante o trabalho, e os problemas da vida pessoal não desaparecem só porque se está no ambiente corporativo.
Além disso, o próprio local de trabalho pode se tornar um fator de desgaste emocional. Situações comuns, como receber uma demanda que o profissional não sabe exatamente como executar, ou ser sobrecarregado com inúmeras tarefas urgentes, geram pressão e desconforto. Na tentativa de preservar o emprego, muitos colaboradores se esforçam ao máximo para dar conta de tudo, sem, muitas vezes, receberem reconhecimento por isso.
Esse tipo de cenário pode desencadear emoções negativas como frustração, ansiedade, tristeza, raiva e estresse. Esses sentimentos, quando não reconhecidos e tratados, podem evoluir para problemas mais sérios de saúde mental, como o Burnout, por exemplo. Ainda assim, muitas pessoas continuam ignorando esses sinais por medo de perder o emprego, afinal, o trabalho é o sustento de suas vidas.
Assim, o cuidado com a saúde emocional acaba sendo negligenciado. O resultado? Queda de produtividade, dificuldade de concentração e aumento na incidência de erros. E quando isso acontece, não é só o profissional que sofre, os impactos também atingem a equipe e o desempenho da empresa como um todo.
Para evitar que esse cenário se repita, as empresas agora têm a responsabilidade de adotar medidas concretas que promovam o bem-estar psicológico dos seus colaboradores. Mais do que oferecer ajuda, é preciso criar uma cultura de conscientização, onde todos entendam a importância de cuidar da mente.
Isso pode ser feito por meio de ações práticas, como rodas de conversa, campanhas educativas, treinamentos para líderes e acesso a apoio psicológico. Estimular esse tipo de diálogo dentro da organização é essencial para quebrar o estigma em torno do tema.
Empresas que promovem um ambiente respeitoso, acolhedor e atento à saúde mental têm equipes mais engajadas, satisfeitas e produtivas. Profissionais emocionalmente saudáveis tendem a ser mais criativos, colaborativos e resilientes, e isso se reflete diretamente nos resultados do negócio.
O Brasil é um dos países mais estressados do mundo
Segundo o relatório global World Mental Health Day 2024, divulgado pelo Instituto Ipsos em outubro de 2024, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking dos países mais estressados do mundo. Paralelamente, o Ministério da Previdência Social aponta que os afastamentos por transtornos mentais cresceram mais de 400% nos últimos anos. Somente nos seis primeiros meses de 2024, o SUS realizou cerca de 14 milhões de atendimentos psicológicos.
Esses números deixam claro: discutir saúde mental no ambiente corporativo não é só importante, é uma necessidade urgente.
Com a atualização da Norma Regulamentadora NR-1, as empresas precisarão repensar a forma como lidam com o tema. O que antes era visto com desdém ou até motivo de piada, agora exige uma postura séria e responsável das lideranças. A capacitação de gestores em habilidades emocionais e comportamentais se torna essencial para criar ambientes de trabalho mais saudáveis.
Pesquisas mostram que muitos profissionais têm dado prioridade à qualidade de vida e ao bem-estar emocional, mesmo que isso signifique abrir mão de salários mais altos. Nesse cenário, empresas que não se adaptarem às novas exigências correm o risco de perder talentos valiosos e colaboradores de alta performance.
O que acontece quando não se investe em saúde mental corporativa
Ignorar a saúde mental dos colaboradores é um erro que pode custar caro. Quando uma empresa deixa de priorizar o bem-estar emocional de sua equipe, o impacto é sentido não apenas pelo indivíduo, mas também na produtividade, na reputação e nos resultados financeiros da organização.
Um dos primeiros sinais de alerta é quando o colaborador está presente fisicamente, mas demonstra baixo rendimento. Isso pode ser reflexo de exaustão mental, falta de motivação ou sofrimento psicológico. Em outras palavras: o corpo está ali, mas a mente está sobrecarregada e incapaz de focar nas tarefas do dia a dia.
Outro indício comum é o aumento das ausências no trabalho. As faltas recorrentes, muitas vezes justificadas por problemas de saúde, principalmente emocionais, revelam que algo está fora do equilíbrio.
Empresas que negligenciam a saúde mental tendem a desenvolver um ambiente de trabalho tenso e negativo. Competitividade extrema, falta de empatia, excesso de pressão e ausência de diálogo formam um cenário tóxico, que provoca a rotatividade constante de profissionais.
Funcionários mentalmente exaustos apresentam queda na concentração, dificuldade em tomar decisões e menor capacidade criativa. Isso afeta diretamente a qualidade dos resultados, diminui a eficiência e freia a inovação.
Hoje, mais do que nunca, o mercado valoriza empresas com responsabilidade social e compromisso com o bem-estar humano. Negligenciar a saúde mental dos colaboradores pode comprometer a imagem da marca diante de clientes, parceiros e da própria sociedade.
Portanto, não investir em saúde mental não representa economia, e sim uma falha grave na gestão de pessoas. O custo de ignorar essa pauta se traduz em perdas financeiras, queda de desempenho, desgaste das equipes e danos à reputação corporativa.
Os benefícios de uma saúde mental estável para equipes e empresas
Mais do que uma obrigação legal, investir em saúde mental deve ser visto pelas lideranças como uma decisão estratégica. Quando uma empresa escolhe cuidar do bem-estar emocional de seus colaboradores, ela não está apenas oferecendo um benefício, está construindo um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e sustentável.
Esse tipo de investimento traz ganhos reais e mensuráveis. Cuidar da saúde mental fortalece o clima organizacional, aumenta a produtividade e impacta positivamente nos resultados financeiros. Ou seja, é uma escolha ética, mas também altamente estratégica.
Ao cultivar uma cultura de acolhimento, respeito e escuta ativa, a empresa reduz conflitos internos, estimula a cooperação entre as equipes e cria um espaço seguro onde os profissionais se sentem valorizados. Isso os encoraja a expressar ideias, pedir ajuda e contribuir de forma mais engajada.
Colaboradores emocionalmente saudáveis demonstram mais energia, foco e disposição. Faltam menos, produzem com mais qualidade e se envolvem mais profundamente com os objetivos da organização. Além disso, empresas que demonstram cuidado genuíno com seus profissionais se tornam mais atrativas no mercado e retêm talentos por mais tempo, diminuindo os custos com turnover.
Quando o ambiente é psicologicamente seguro, o medo de errar ou se expressar dá lugar à criatividade, à inovação e à confiança. As soluções surgem com mais naturalidade e os times ganham agilidade para enfrentar desafios com mais resiliência.
É fundamental que os líderes entendam que saúde mental não é luxo, nem tendência passageira. É uma necessidade real e um investimento inteligente. Os benefícios são inúmeros: colaboradores mais motivados, ambiente mais leve, maior produtividade, redução de custos e fortalecimento da imagem institucional.
Empresas que cuidam de pessoas constroem negócios mais fortes, humanos e preparados para o futuro. Afinal, o maior patrimônio de uma organização continua sendo quem está por trás dela todos os dias: as pessoas.
E se você, empreendedor ou gestor, não sabe por onde começar ou precisa de apoio para implementar ações concretas na sua empresa, estou aqui para ajudar. Vamos juntos transformar o seu ambiente de trabalho em um espaço mais saudável, produtivo e acolhedor.
Você pode agendar uma sessão ligando ou entrando em contato pelo WhatsApp, no número: (27) 99236-5313. Nossas consultas podem ser online ou presencialmente, como preferir.
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Cuide bem de você e dos seus! =)


1 comentário em “Lei 14.831: Saúde mental no trabalho deixa de ser opção e se torna obrigação”
Existe muitos conceitos errado, pensar que tratar da saúde mental e coisa de Louco. Pelo contrário é para não ficar louco,quem cuida também precisa de cuidados,quem cuida precisa se cuidar também, mais essa parte vem depois. No momento é quem cuida precisa ser cuidado, isso e o fato das instituições investir mais nos profissionais, o tratamento do servidor deve ser separado dos atendimentos da comunidade, pois a sociedade entende como injustiça, eles não entendem que isto resulta em benefícios para eles. Agora sendo lei ficou melhor que bom graças a Deus, por essa benção que Jesus Cristo abençoe sempre.
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