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Nomofobia: o medo excessivo de ficar sem celular

A dependência no uso do excessivo celular pode desencadear diversos transtornos psicológicos

Você provavelmente já ouviu de alguém a frase: eu não vivo mais sem celular!

Isso realmente é um fato na vida da maioria das pessoas, no mundo contemporâneo e totalmente tecnológico que vivemos atualmente, tudo o que fazemos está ligado a este pequeno aparelho eletrônico. Desde nossa organização de vida pessoal, como contas de banco, documentos, lista de sonhos e desejos; até a vida profissional, nossos compromissos do dia, reuniões, materiais de trabalho. Muitas pessoas também costumam dizer que a vida está dentro do celular, o que não deixa de ser uma verdade. Nos dias de hoje, viver sem um aparelho deste é praticamente impossível, conforme sua modernização foi acontecendo, nós fomos acompanhando e nos adequando a ele, sem nem mesmo perceber.

Mas até que ponto o uso celular é inofensivo para o ser humano? Será que essas frases citadas estão fazendo cada vez mais sentido? Uma pessoa hoje em dia realmente não consegue mais viver sem um aparelho de celular?

É o que vamos descobrir!

Nomofobia: que é?

Você já ouviu falar em nomofobia? Muitas pessoas desconhecem essa condição, apesar de viver com ela diariamente. Se trata de uma fobia, um medo incontrolável de ficar sem o celular, por qualquer motivo, falta de bateria, internet reduzida ou qualquer outra coisa.

Esse nome tão diferente deriva do inglês. Nomo=no mobile (sem mobilidade tecnológica) + fobia. Ou seja, representa as sensações sentidas por uma pessoa que não sabe mais viver sem essa tecnologia.

É preciso salientar que é normal o celular guardar muitas coisas relacionadas à vida do indivíduo, qualquer pessoa hoje em dia tem essa vivência. Ele é usado para chamar um carro de aplicativo, para pedir comida no delivery, ler notícias sobre o mundo, procurar emprego, pagar contas, conversar com alguém, são infinitas as possibilidades. Retrata exatamente o que foi citado mais acima no texto. A vida inteira de uma pessoa pode estar dentro de um celular, mas até que ponto isso está sendo levado a sério demais?

Por mais que o aparelho seja uma necessidade para muitas coisas, os sentimentos e sensações são sentidos no corpo e principalmente, no psicológico.

A nomofobia é um comportamento viciante, que tem atingido cada vez mais pessoas e preocupado os especialistas. Afinal, a tendência da tecnologia é evoluir cada vez mais. E quanto a nós, seres humanos, seremos capazes de lidar com ela de forma inteligente, sem prejudicar nossa saúde?

Um vício cada vez mais crescente

O uso do celular tem se tornado ao longo dos anos cada vez mais crescente e isso é algo notável, para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada pela The World Bank e Statista, atualmente o Brasil é o 5º país com mais usuários de smartphones no mundo. São 118 milhões de pessoas usando constantemente celulares no Brasil.

Se tornou algo tão incontrolável que nos dias de hoje é normal vermos até mesmo crianças viciadas no celular, e quando falo sobre crianças, me refiro as que são menores de 5 anos. Os pais oferecem a tela aos pequenos pelas mais diversas razões: fazer a criança parar de chorar; distrair o bebê para conseguir realizar alguma tarefa; estarem cansados da rotina sobrecarregada e naquele momento não querem dar atenção ao filho. Então, para sentirem menos o peso da paternidade e maternidade, usam o celular como escape, oferecendo joguinhos e vídeos infantis aos pequenos.

O vício já começa na primeira infância, depois passa pela adolescência para então tornar o adulto totalmente dependente do aparelho.

O que também torna este pequeno dispositivo muito atraente e viciante são as redes sociais e suas comparações. É difícil você conhecer alguém que não tenha pelo menos uma rede social na internet, e nessas redes o que mais se vê são vidas deslumbrantes mostradas pelos famosos e influenciadores. Carros luxuosos, casas enormes, roupas de grife, corpos perfeitos, maquiagens impecáveis e cabelos sempre alinhados. Com certeza você já cansou de ver isso no Instagram ou TikTok, não é verdade?!

Mas até que ponto tudo o que é visto nas redes é verdade? E mesmo que seja a realidade de alguém, até onde você se deixa levar com a comparação e se sente inferior a essas pessoas?

Com a comparação surge o sentimento de insatisfação, descontentamento, tristeza por não conseguir ter aquela vida e conforme a pessoa se “alimenta” dessas postagens vai adoecendo sem nem mesmo perceber.

A possibilidade de poder usar o celular para praticamente tudo torna o ser humano cada vez mais dependente dele. Para muitos é exagero dizer que um pequeno aparelho eletrônico pode tomar conta da vida de uma pessoa, mas o que mais vemos são seres dependentes e que já não se lembram mais de como é viver sem o dispositivo.

Você tem esse comportamento em relação ao uso do celular ou conhece alguém que tenha?

Cuidado! Você pode ter desenvolvido a nomofobia.

Como identificar a nomofobia?

Não é um processo fácil, mas a nomofobia pode ser identificada por meio dos sintomas que abrangem esse comportamento. Envolve observar a conduta de uma pessoa em relação ao seu celular e avaliar se ela exibe sinais de dependência excessiva ou ansiedade quando não está com o dispositivo.

Veja alguns sinais que revelam se o indivíduo desenvolveu essa dependência digital:

  • A pessoa fica ansiosa ou estressada quando não consegue usar o celular.
  • Expressa preocupação constante sobre a bateria do telefone.
  • Utiliza o celular de maneira excessiva, mesmo em situações socialmente inapropriadas.
  • Passa longos períodos de tempo em atividades no celular, negligenciando responsabilidades ou compromissos.
  • Tem dificuldade em desligar o telefone mesmo durante a noite ou em momentos de descanso.
  • Evita atividades ou locais onde não é possível usar o celular.
  • Experimenta uma preocupação intensa quando perde o celular.
  • Fica a todo instante verificando se o celular está presente.
  • Sente-se incapaz de se comunicar ou manter-se informado sem o celular.
  • Acredita que algo ruim acontecerá se não estiver disponível via telefone.
  • O uso do celular interfere nas relações pessoais, trabalho, estudo ou outras atividades diárias.
  • Pode experimentar sintomas físicos, como palpitações, suor excessivo, tremores, ataque de pânico quando não tem acesso ao aparelho.

Se alguém apresentar vários desses sinais, é possível estar enfrentando a nomofobia. Vale ressaltar que é uma condição que pode variar em gravidade, e a ajuda profissional, como a de um psicólogo, pode ser benéfica para lidar com esse medo e desenvolver hábitos mais saudáveis em relação ao uso de dispositivos móveis.

Prejuízos que a nomofobia traz para a vida da pessoa

Até aqui conseguimos perceber que, embora faça parte da vida do ser humano, fazer uso do celular com uma certa dependência é nocivo para qualquer pessoa. E como tudo em excesso faz mal, a nomofobia pode trazer diversos prejuízos para quem não consegue controlar esse vício.

Dois transtornos psicológicos muito presentes são a ansiedade e a depressão, o indivíduo se sente triste e irritado por não conseguir achar uma solução para esse desconforto emocional que está sentindo, desencadeado pelo medo de ficar sem o celular.

Inconscientemente, as relações com familiares e pessoas próximas podem ficar difíceis a partir do momento em que a pessoa direciona sua atenção apenas para o telefone. Podendo até mesmo gerar conflitos e causar rompimentos de laços.

Para quem tem filhos ou sobrinhos crianças, é preciso refletir: será que o uso excessivo de celular é um bom exemplo a ser seguido?

Outro malefício é a falta de produtividade, o tempo gasto no telefone pode resultar em uma redução na produtividade no trabalho ou nos estudos. A procrastinação também pode começar a fazer parte da rotina, trazendo atrasos em tarefas importantes.

Distúrbios do sono podem aparecer, desencadeando noites mal dormidas, o que gera toda uma mudança no cotidiano da pessoa. Além dos problemas físicos já citados, o uso prolongado do celular, durante horas, causa dores no pescoço, nos ombros e olhos, devido à má postura e ao tempo prolongado gasto nas telas.

Utilizar o celular de forma intensa também traz riscos à segurança, fazer uso enquanto está caminhando ou dirigindo pode causar acidentes que podem até mesmo serem fatais. Por todos esses e outros motivos, evite usar o celular de forma descontrolada, se você não consegue ter domínio sobre essa situação, procure alguém que possa te ajudar, de preferência um especialista.

Quais são as causas da nomofobia?

Embora não estejano DSM-5, a nomofobia pode estar interligada com outros distúrbios psicológicos. Pessoas com tendência a desenvolver ou até mesmo que já convivem com a ansiedade ou transtorno do pânico, por exemplo, têm mais facilidade em aflorar a condição da nomofobia, pois se sentem muito ansiosas ou com medo excessivo de ficarem sem o celular.

Indivíduos que se comparam com outras pessoas nas redes sociais podem acabar desenvolvendo a depressão, pois sempre estão baseando suas vidas nas influências que veem nas redes.

É importante ressaltar que, por mais que possa estar ligada a outros transtornos, as causas da nomofobia podem ser únicas para cada indivíduo. Cada pessoa possui uma vivência, um organismo e experiência de vida.

A nomofobia tem cura?

Não existe uma cura específica para essa condição. A nomofobia é considerada uma manifestação de ansiedade, o medo excessivo de ficar sem o aparelho celular. Porém, existem algumas abordagens e estratégias para gerenciar e superar essa situação.

Desintoxicação digital

Periodicamente, fazer “desintoxicações digitais” pode ser útil. Isso envolve períodos em que a pessoa se desconecta completamente do celular para focar em atividades offline.

Mindfulness e Meditação

Práticas de mindfulness e meditação podem ajudar a desenvolver uma maior consciência e controle sobre os pensamentos e emoções associados ao uso do celular. Isso pode contribuir para reduzir a ansiedade.

Estabelecer limites

Definir limites saudáveis para o uso de dispositivos móveis pode ajudar a reduzir a dependência e a ansiedade. Isso pode incluir períodos sem o celular, especialmente antes de dormir, e limitar o tempo gasto em redes sociais.

Apoio social

Buscar suporte de amigos, familiares ou grupos de apoio pode ser benéfico. Compartilhar preocupações e trabalhar em conjunto para estabelecer hábitos mais saudáveis pode ter um impacto positivo.

Desenvolvimento das habilidades sociais

Trabalhar no desenvolvimento de habilidades sociais fora do ambiente online pode ajudar a reduzir a dependência do celular e aumentar a interação social com pessoas do mundo real.

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

A TCC é uma abordagem terapêutica que pode ser eficaz no tratamento de ansiedades e fobias. Ajuda a identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento disfuncionais relacionados ao uso do celular.

É interessante frisar que cada pessoa é única, e as abordagens de tratamento podem variar. O importante é procurar ajuda se a nomofobia estiver impactando negativamente a qualidade de vida e o funcionamento diário. O suporte profissional pode ser valioso para desenvolver estratégias personalizadas no enfrentamento da condição.

Todas essas estratégias, em especial a última, deve ser acompanhada por um psicólogo. A assistência profissional irá te motivar e ajudar no gerenciamento do uso da tecnologia. É possível fazer uso do celular de forma inteligente e saudável.

Marque uma sessão de terapia comigo! Sou psicóloga e posso lhe ajudar.

Você pode agendar sua sessão ligando ou entrando em contato pelo WhatsApp, no número: (27) 9.9978-0990. Nossas consultas podem ser online ou presencialmente, como preferir.

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